COVID-19: Secretária de Saúde responde questionamentos de vereadores e afirma que cidade tem plano de vacinação

por Comunicação / CMSS publicado 31/03/2021 14h45, última modificação 27/04/2021 10h27

A Câmara Municipal recebeu, nesta terça-feira (30), a secretária municipal de Saúde, Laize Peixoto, e a Procuradora Daniela Alves Reis, após convite dos parlamentares, apresentado pela Mesa Diretora. Marcou presença o Presidente Lucas Vasconcelos, o vice-presidente Laerte Nogueira, o 2º Secretário Vilarinho, os vereadores Adriano Pimenta, Ailton Lopes, Gilmar do Garimpo, Ludgero Neto, Professor Fernando, Raufi Diones e Welington Carvoeiro. O 1º Secretário Fábio Kebinha, por motivos particulares não pode estar presente.

Por mais de uma hora, a secretária Laize prestou esclarecimentos diversos e apresentou informações sobre as campanhas de vacinação contra o novo Coronavírus, além de responder aos questionamentos dos parlamentares.

Uma das cobranças feitas, de forma unânime, pelos vereadores, foi quanto ao processo de transparência na divulgação do plano de vacinação elaborado pela saúde municipal. Para eles está ocorrendo falhas que precisam ser corrigidas, a fim de levar todas as informações de forma clara e correta à toda população.

“Nesse momento, o público-alvo da campanha de vacinação é de idosos, que em sua maioria não faz uso de tecnologias e, tampouco, de redes sociais. Nossa sugestão é para que, além dos canais oficiais da prefeitura, na internet, a divulgação seja realizada também através da Radio Formato FM e por meio de propagandas de rua, em carros de som”, sugeriu o Presidente da Casa do Povo, Lucas Vasconcelos.

A titular da saúde explicou que houve falhas por conta da inconstância do sistema de informação, mas que tudo está sendo resolvido. “Essas falhas de sistema impossibilitou que todo o processo fosse divulgado em tempo hábil. Nosso plano é divulgar, diariamente, todas as informações e dados acerca do número de vacinas recebidas, a quantidade de pessoas imunizadas e a qual grupo estão inseridas”, declarou.

De acordo com o vereador Welington Carvoeiro, a população tem questionando que a quantidade de doses recebidas pelo município, enviadas pela Regional de Saúde, não confere com o quantitativo de pessoas vacinadas e de acordo com a lista divulgada pela secretaria. Para muitos há uma disparidade, ou seja, está sobrando vacinas.

“A população não tem sido informada a respeito de quantas vacinas vêm sendo disponibilizadas pela União ou pelo Estado para cada uma das fases de vacinação, bem como a origem de cada uma dessas vacinas e, como fiscais do povo estamos sendo cobrados. Estamos sendo bombardeados nas ruas e nas redes sociais, porque nem nós temos essas informações para repassar a comunidade”, falou.

Conforme os edis, foi divulgada no site da prefeitura uma lista contendo o nome de pessoas já imunizadas em São Simão e Itaguaçu, mas que a mesma também trouxe dados incompletos, levando parte da população a fazer questionamentos, colocando em suspeita a lisura de todo o processo. Uma dessas dúvidas, é se funcionários de farmácias e clinicas veterinárias fazem parte dos grupos considerados prioritários.

Sobre o assunto, Laize afirmou que nenhuma dose de vacina foi aplicada fora do plano estabelecido pelo Ministério da Saúde e que a lista disponibilizada, no site da prefeitura de São Simão, encontra-se desatualizada. “Não houve “fura-fila” na vacinação, como alguns suspeitam pela cidade e conforme insinuações feitas por outros, através de redes sociais. Todas as pessoas imunizadas estão inclusas no grupo de prioridades e contidas na nota técnica da saúde. Não há desvio de nenhuma dose, até mesmo porque é praticamente impossível que isso aconteça, uma vez que, temos que prestar contas de cada dose ministrada. Quanto a lista, notadamente, a mesma está desatualizada. Basta ver que, os dados divulgados vão até o dia 24 de março. De lá para cá, já recebemos outras doses e mais pessoas foram vacinadas. Já estamos trabalhando para trazer uma nova listagem com os dados ajustados e medidas estão sendo adotadas para uma melhor divulgação”, justificou.

Questionado que seus irmãos e esposa tinham sido vacinados, o presidente da Casa do Povo, vereador Lucas Vasconcelos, argumentou que, devido suas profissões, todos estão no grupo prioritário e que o direito a vacina está assegurado nas notas técnicas emitidas pelo Ministério da Saúde. “Minha esposa é médica veterinária e um dos meus irmãos é médico neurologista e o outro cirurgião dentista. Todos eles são profissionais pertencentes ao grupo prioritário, então, seguramente, não há nenhuma ilegalidade”, ponderou.

Fala que foi corroborada pela Secretária Laize. “Houve questionamentos, mas tanto a esposa quanto os irmãos do Presidente, fazem parte do grupo prioritário. Todos receberam suas doses conforme preceitua a nota técnica da saúde. A recomendação é que a vacina seja disponibilizada mesmo que, o profissional dessa linha de frente, resida e não atue profissionalmente na cidade”, explicou.

Os vereadores solicitaram informações se há um plano e um calendário efetivo de vacinação, exemplificando que cidades como Rio Verde e Caçu, estão à frente de São Simão na faixa etária já vacinada.

A secretária afirmou que, se comparado com esses municípios e outros, São Simão realmente está atrasado no plano. “A explicação para esse atraso é porque nosso município possui um número elevado de profissionais na área da saúde, que fazem parte da linha de frente e que precisam ser imunizados prioritariamente, de acordo com a determinação do Ministério da Saúde”, esclareceu.

Os vereadores lembraram a secretária que em fevereiro, a prefeitura teve aprovado na Câmara Municipal, em caráter de urgência urgentíssima, um projeto que autorizava o Executivo municipal a adquirir vacinas e, a partir dessa autorização, segundo afirmação do prefeito Assis Peixoto, o município comprou 20 mil doses. Unanimemente, os vereadores solicitaram da secretária informações de quando essas vacinas chegaram a cidade e como funcionará a campanha de aplicação da mesma.

A titular da saúde municipal respondeu que as vacinas estão previstas para chegar até a primeira quinzena de abril, e que das 20 mil doses, o município ficou com 14 mil e as 6 mil restantes serão enviadas para o consórcio formado por prefeituras que participaram da compra dos imunizantes. “Por conta da demora do Plano Nacional de Imunização, São Simão integrou um consórcio nacional de prefeituras que entraram na disputa pela compra de vacinas contra o movo Coronavírus. E foi a partir dessa união que conseguimos comprar esses lotes de vacinas. A partir do momento que a vacina chegar, as mesmas serão integradas ao plano de vacinação determinado pelo Ministério da Saúde, ou seja, continuaremos seguindo todas recomendações do governo federal. Isso quer dizer que, mesmo que vacinemos todas as pessoas da faixas etárias determinadas, não poderemos adiantar o calendário. Teremos que aguardar o plano nacional de imunização”, frisou.

Segundo o vereador Ailton Lopes, no último sábado (27), ao passar próximo a secretaria de Saúde, local da vacinação, percebeu inúmeros idosos aglomerados em pé e sob o sol, aguardando na fila, para serem vacinados. Ele indagou a Secretária, se o tempo de espera não poderia ser reduzido, com a equipe da saúde realizando esse cadastramento domiciliar ou até mesmo promovendo um agendamento para a aplicação dessas doses.

"Recebi reclamações de idosos que se deslocaram de suas casas, alguns desacompanhados, outros com dificuldades de locomoção, que chegaram no posto de vacinação e tiveram que esperar por mais de hora para serem vacinados porque, antes é preciso realizar o preenchimento de uma ficha. Por mais comodidade e respeito a esses cidadãos, gostaria de saber se esse cadastramento poderia ser domiciliar e esse idoso deslocar até o posto de vacinação apenas para receber a dose", perguntou.

Em resposta, Laize ressaltou que o agendamento até poderia ser utilizado para facilitar a logística, mas que não funciona, pois muitos idosos não comparecem ao local, havendo, em muitos casos, a busca pelo mesmo. “Cada um recebeu uma senha e orientamos que aguardassem em casa que faríamos o chamamento, mas não fomos atendidos, por esse motivo houve espera e aglomeração. Entendemos a ansiedade para tomar a vacina, mas esse cadastramento tem de ser feito naquele momento que antecede a aplicação da dose, pois a vacina tem um prazo de validade e não podemos correr o risco de perder nenhuma dose. Já estamos estudando um outro local, tipo a quadra de esportes do Colégio Leopoldo Moreira, para a realização das campanhas, onde todos ficarão abrigados do sol e sentados”, alegou.

Ao avaliar o resultado da reunião, o vereador e 2º Secretário, Vilarinho, ressaltou a importância da união entre os Poderes para ajudar a população, sem deixar de fiscalizar e cobrar o Executivo. “A Câmara Municipal está pronta para ajudar no que for preciso. A secretária esclareceu o que está fazendo contra a Covid-19, e quem acompanhou pode ter conhecimento do que está sendo feito em prol da comunidade”, disse.

Encerrando sua participação na reunião, Laize ressaltou que nessa segunda onda da doença, houve um grande aumento nos casos de internações de jovens acometidos pelo novo Coronavírus. “Tomamos todas as medidas e ninguém veio a óbito sem medicamento e sem assistência. A média de internação e infecção de pacientes jovens acometidos pela covid no município aumentou bastante e para frear este avanço, seriam necessárias medidas mais rígidas e tempo suficiente para superar este período, por isso, pedimos que a população colabore”, afirmou a secretária.

Como forma de desabafo, a secretária pediu para que os vacinados contra a Covid-19 não abandonem os cuidados e continuem usando a máscara. “Muitas pessoas pensam que, uma vez vacinadas, não precisam usar mais a máscara, mas devem continuar a fazê-lo. E a razão é simples: apesar de imunizados contra a doença, ainda podem ser contaminados. Tivemos caso na cidade de uma pessoa que já havia recebido as duas doses e veio a óbito depois de contrair a doença. Por isso, mesmo vacinado, o cidadão deve continuar se protegendo”, defende. 

Laize adiantou que a prefeitura está investindo na aquisição de um gasômetro para o hospital municipal. “Com a aquisição do aparelho, o hospital ganhará em qualidade, enquanto a população ganhará em agilidade no atendimento”, comemorou.

O vereador Adriano Pimenta, que é fisioterapeuta e um dos profissionais atuantes na linha de frente, explicou que o termo gasometria arterial refere-se a um tipo de exame de sangue, colhido de uma artéria, que busca a avaliação do oxigênio e gás carbônico, distribuídos no sangue, além do pH e do equilíbrio ácido-básico.

Adriano ainda esclareceu que esse é um aparelho muito utilizado em pacientes que estão internados em UTI. “Ganhamos em qualidade, afinal, quanto mais rápido é realizado, melhor a efetividade do atendimento feito ao paciente. Sem o gasômetro, houve o caso de um paciente que demorei horas para encontrar o ponto certo, com o equipamento levaríamos minutos”, disse.

Com discurso direcionado à população, o vereador Laerte Nogueira pediu mais consciência da população para conter a doença e para não espalhar notícias falsas. “Essa união que nós temos buscado fazer é o que vai nos levar a superar essa doença. Depende de cada ação nossa”.

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